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O refinamento da pesquisa

De quase mil a 32

Daniel Gambaro

8 de agosto de 2025

Com o resultado da tecnografia, iniciei um processo de refinamento para desenhar um corpus manejável (e desejável).

 

Considerando que parti de mais de 900 programas listados pelas plataformas e validei quase 700 como produções brasileiras, chegar a uma lista de 100 exigiu critérios objetivos:

  • Ter como objeto central temas políticos (governos, partidos e figuras públicas) OU Ser podcast de entrevistas, com amplo alcance de público, e cotidianamente receber agentes do campo político como entrevistados

  • Ser conduzido por figura midiática que alcança grande público, e cujas opiniões e declarações têm condições de repercutir em diferentes esferas.

  • Não ser extremamente regionalizado, isto é, em geral tratar do que chamaríamos “política nacional”


Durante esse primeiro refinamento, levei em consideração também a presença em plataformas e a audiência dos programas, critérios a que recorri novamente depois. Explico o motivo.


Estudar 100 programas seria inviável. Havíamos considerado, durante a elaboração do projeto, que a proposta de ter 30 programas já representaria um desafio, mas foi com esse número que segui.

 

Antes de prosseguir com o refinamento do corpus, analisei programa por programa para identificar quais valores eles apresentavam: se inclinavam à direita ou à esquerda, se atuavam como representantes do mercado financeiro, se diziam fazer jornalismo ou se se declaravam “neutros”, “apartidários” ou simplesmente ocultavam essa informação.

 

Para essa aferição, conferi: descrições dos programas nos agregadores, em mídias sociais e websites, quando disponíveis; avaliei uma quantidade de títulos de episódios que revelassem inclinações; e, se necessário, procedi com a escuta de trechos iniciais de alguns episódios.

 

Feito isso, observei o alcance dos programas em listas como a descontinuada Chartable, o website Listen Notes, o prêmio iBest e o total de inscritos nos canais do YouTube.

 

Isso serviu como referência para escolher alguns programas, mas não selecionei apenas os 30 mais ouvidos – isso seria um erro.

 

Primeiro, porque o programa mais ouvido em um agregador não está, necessariamente, disponível em outro. Segundo, porque eu deveria buscar algum equilíbrio na amostra. Além disso, por recomendação da assessoria da Fapesp que avaliou o projeto, seria importante ter exemplares de programas mais e menos militantes, representantes da área acadêmica etc.

 

Por fim, como a unidade de análise são os podcasters, seria necessário evitar ao máximo uma discrepância muito grande entre podcasters de esquerda e de direita.

 

Assim, a lista final ficou com 32 programas, distribuídos da seguinte forma:

 

  • 11 podcasts inclinados à direita (30 podcasters) dos quais 3 se anunciam jornalísticos

  • 12 inclinados à esquerda (32 podcasters), entre os quais 3 se anunciam jornalísticos

  • 2 que se declaram voltados ao “mercado financeiro”, mas que recorrentemente adentram pautas políticas e como estas afetam sobretudo o mercado de ações e de investimentos. Em geral, apresentam uma inclinação liberal, a favor do livre mercado.

  • 4 podcasts jornalísticos que não explicitam claramente a posição política

  • 3 podcasts de entrevistas que se declaram neutros ou imparciais.


Foto de Sasun Bughdaryan na Unsplash

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 por Daniel Gambaro.

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